É a Pesquisa Nacional Sobre a População em Situação de Rua, feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Foram feitas entrevistas em 71 cidades (23 capitais e 48 cidades com mais de 300 mil habitantes) com quase 32 mil moradores de rua. Alguns dados são surpreendentes:

1) 71% dos moradores de rua trabalham e apenas 16% dependem da mendicância para sobreviver. 59% afirmaram ter profissão, mas áreas de construção civil, comércio, trabalho doméstico e mecânica.

2) 52% deles possuem ao menos um parente na cidade em que moram, sendo que 39% dizem ter uma boa relação com a família e 34% mantém contato com os familiares

3) 74% sabem ler e escrever, mas 63,5% não concluíram o ensino fundamental

4) O alcoolismo e as drogas são as razões que levam a maioria dessas pessoas a morar na rua: 35,5%. A seguir vem o desemprego (30%) e conflitos familiares (29%).

Antes de começar qualquer trabalho com moradores de rua, as Instituições deveriam se debruçar sobre estes números, entendê-los e iniciar projetos de ação social que encarem essa realidade. Se necessário, contratar sociólogos ou chamar os alunos de Sociologia e Serviço Social para darem uma ajuda.
Não sou sociólogo, mas já tirei algumas conclusões:

1) No Brasil, a mendicância é um problema moral e familiar. Ao contrário do que imaginamos, a maioria das pessoas que vão para a rua tomam essa decisão não por causa de dificuldades econômicas, mas sim porque tiveram a sua vida destruída pelo álcool e pelas drogas e por conflitos familiares. Não que a economia não conte, ela conta, e muito. Mas não é o fator principal, como os teólogos da libertação da Igreja Católica e suas variantes evangélicas propagam. Talvez, se essas pessoas não tivessem experimentado as drogas ou conseguissem resolver seus conflitos familiares, elas jamais teriam ido morar na rua.

2) Deve-se investir mais na prevenção ao uso de álcool e drogas. Não sou contrário ao consumo de bebidas alcóolicas por cristãos, como já demonstrei em um outro post. Acho que a proibição é um farisaísmo. Mas entendo que esse consumo não pode ser estimulado ou encorajado. O álcool é uma substância perigosa, pois, se não for consumido com moderação, pode destruir não apenas a saúde física de alguém, mas devastar a família e levar uma pessoa para a sarjeta. A igreja deve apoiar projetos de lei que restrinjam a publicidade e a venda de álcool e dar instruções claras combatendo o uso de outros tipos de droga.

3) A família deve ser a prioridade ministerial das Instituições. Quando conflitos familiares são o terceiro fator que mais tira pessoas de casa e as põe na rua, percebe-se o quanto a família está doente no Brasil e como ela pode ser determinante na vida de alguém. Enquanto a sociedade não vê problemas no aumento no número de divórcios e encoraja a falta de obediência dos filhos, pessoas estão jogando fora as suas vidas porque não conseguem paz dentro de casa. Filhos fogem do lar porque não se dão com os pais, famílias expulsam um pai bêbado, mulheres ficam sem opção de sustento por causa de um divórcio e da falta de apoio da família. Precisamos de Instituições orientadas para a educação das futuras famílias e para o pastoreio das famílias já existentes. Aconselhamentos pré-nupciais e para casais, palestras sobre educação de filhos, eventos onde pais e filhos brinquem juntos são apenas algumas iniciativas que podemos executar em nossas Instituições.

Não falo da questão econômica porque é muito difícil para as Instituições serem uma resposta para este tipo de problema. Só quem teve que montar o orçamento de uma igreja sabe como isso é difícil. As barreiras para que Instituições pequenas e médias montem programas de escolarização e profissionalização são enormes. Por outro lado, ensinar uma profissão não vai adiantar muita coisa se o caráter não for trabalhado.
Mas, ninguém ainda sabe qual é o impacto econômico produzido pela transformação do caráter. Se as Instituições forem ativas no combate e prevenção às drogas e na defesa e pastoreio das famílias, evitaremos que muitos cheguem à sarjeta e, com certeza, isso trará reflexos bastante positivos para a economia do Brasil.

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